O segredo de um bom fogo? Lenha seca!

|Gianpaolo Fornasier
Il segreto di un buon fuoco? Legna secca!

Lenha para queimar: a regra mais importante? Que esteja SECA!

Quando compramos um carro, sabemos perfeitamente que o combustível é importante. Podemos ter o melhor motor do mundo, mas, se o alimentarmos com um combustível de má qualidade, não podemos esperar que funcione da melhor forma.

Com uma salamandra ou uma lareira a lenha aplica-se exatamente o mesmo princípio.

Podemos ter um aparelho moderno e eficiente, instalado na perfeição e ligado a uma chaminé construída de acordo com as regras, mas há algo fundamental:

temos de lhe fornecer um bom combustível.

E, no caso da lenha, antes mesmo de discutirmos se é melhor a faia, o carvalho, a acácia, o freixo ou o abeto, há uma característica que conta mais do que todas as outras:

A LENHA TEM DE ESTAR SECA.

Esta é a verdadeira regra de ouro.

Quão seca deve estar a lenha?

Aqui é importante esclarecer um conceito que muitas vezes gera confusão.

A madeira contém naturalmente água e não é necessário chegar aos 0% de humidade (o que, nas condições ambientais normais, seria além disso irrealista)

Para ser considerada adequada para combustão, a lenha deveria ter uma humidade inferior a 15%. Quanto mais conseguirmos baixar, por exemplo para cerca de 10%, mais facilmente teremos um acendimento rápido e uma combustão viva. A EPA também indica um teor de humidade inferior a 15% como referência para uma boa combustão.

Porque é tão importante? Por um motivo muito simples:

a água não arde.

Quando colocamos lenha húmida na fornalha, parte da energia produzida pelo fogo é utilizada para aquecer e evaporar a água contida na madeira, em vez de produzir calor útil.

O resultado?

A lenha húmida significa geralmente:

  • maior dificuldade em acender;
  • temperatura de combustão mais baixa;
  • mais fumo;
  • vidro que tende a sujar-se mais rapidamente;
  • maiores depósitos na fornalha e no sistema de exaustão de fumos;
  • menos calor útil;
  • combustão menos eficiente e mais poluente.

Com efeito, a Região do Véneto, nas suas orientações sobre a utilização de biomassa, recomenda lenha com um teor de humidade inferior a 15%, salientando que o excesso de humidade reduz o poder calorífico e dificulta atingir temperaturas elevadas na câmara de combustão.

Por outras palavras: antes de culparmos a salamandra, a lareira ou a chaminé, verifiquemos a lenha!

Mas então, qual é a melhor lenha para queimar?

Aqui podemos entrar um pouco mais em detalhe.

As diferentes espécies têm características distintas, sobretudo se as compararmos para o mesmo volume.

As madeiras mais densas, como a faia, o carvalho, a robínia/acácia e o freixo, concentram geralmente mais energia no mesmo volume do que as madeiras mais leves. Para o mesmo peso e humidade, porém, as diferenças energéticas entre as várias espécies tornam-se muito menos importantes do que muitas vezes se pensa.

Na prática, podemos distinguir, simplificando:

Faia
É um dos grandes clássicos da lenha. Bom rendimento, combustão bonita, boa chama e boas brasas. É uma madeira muito versátil e agradável de utilizar.

Carvalho-alvarinho e carvalho
Madeiras duras e densas, excelentes para manter o fogo e produzir brasas duradouras. São particularmente interessantes quando queremos uma combustão mais longa.

Robínia, vulgarmente chamada acácia
É uma madeira muito densa e resistente. Depois de a combustão estar bem iniciada, é particularmente interessante para manter o calor e as brasas durante muito tempo.

Freixo
Outra excelente lenha, com bom rendimento e uma combustão regular.

Bétula
Acende-se facilmente e produz uma chama bonita. Também pode ser muito agradável em lareiras onde o aspeto visual do fogo é importante.

Abeto e outras coníferas
São madeiras mais leves e tendem a arder rapidamente, produzindo uma chama viva. Precisamente por esta característica, podem ser muito úteis sobretudo na fase de ignição, desde que, naturalmente, estejam bem secas e sejam utilizadas de acordo com o previsto pelo fabricante do aparelho.

Mas atenção para não transformar tudo isto numa ciência extremamente complicada.

Não é preciso enlouquecer!

Às vezes, parece quase que, para acender uma estufa a lenha, é necessário ter uma licenciatura em ciências florestais.

“Essa não, porque é demasiado leve.”

“Essa sim, mas só depois de três anos.”

“Essa produz uma chama demasiado intensa.”

“Essa produz demasiadas brasas.”

“Essa só serve às 18:37, com vento de nordeste…”

Calma!

As características dos diferentes tipos de madeira existem e é útil conhecê-las, mas, na vida real, uma boa estufa ou uma boa lareira podem funcionar muito bem com inúmeros tipos de lenha.

Se tivermos faia disponível, ótimo.

Se tivermos carvalho-alvarinho, ótimo.

Se tivermos freixo, ótimo.

Se tivermos acácia, ótimo.

Se tivermos uma mistura de tipos de madeira, tanto melhor.

O fundamental é que seja madeira virgem, adequada para a combustão e, sobretudo, SECA.

Entre uma lenha considerada “nobre”, mas húmida, e uma lenha mais comum perfeitamente seca, para nós não há dúvida:

escolhemos a seca.

Um pequeno truque para uma boa ignição

Se quisermos melhorar ainda mais a combustão, podemos utilizar diferentes tipos e dimensões de madeira em vários momentos.

Ao acender, interessa-nos obter rapidamente uma chama bonita e uma temperatura elevada.

O objetivo não é apenas acender os toros.

Temos de aquecer rapidamente a fornalha e, sobretudo, a chaminé: ao aumentar a temperatura dos fumos, favorecemos a ativação da tiragem natural.

Por isso, é muito útil começar com lenha seca rachada em pedaços pequenos, juntamente com um acendalha adequado.

Podemos utilizar, por exemplo, toros finos de faia ou madeiras leves e muito secas, como o abeto, se forem compatíveis com as indicações do fabricante.

Quando o fogo já estiver bem aceso, a fornalha estiver quente e a chaminé tiver começado a puxar corretamente, podemos passar para cepos maiores e madeiras mais densas.

Por exemplo, a acácia/falsa-acácia, o carvalho ou outras madeiras duras podem ajudar-nos a obter uma combustão mais longa e uma brasa mais persistente.

A EPA também recomenda começar com um fogo pequeno e quente, utilizando gravetos secos, acrescentando progressivamente pedaços maiores e deixando espaço suficiente para a passagem do ar.

É um princípio muito simples:

pequeno e vivo para começar, maior e mais duradouro quando o fogo já estiver aceso.

Como posso saber se a minha lenha está realmente seca?

O melhor método é muito simples: medi-la.

Existem pequenos medidores de humidade para madeira que custam relativamente pouco e permitem obter, em poucos segundos, uma indicação muito útil.

Um conselho: para obter uma medição significativa, parta um cepo e meça a humidade na superfície interior recém-exposta, e não simplesmente na parte exterior do pedaço.

Com efeito, o exterior pode parecer perfeitamente seco, enquanto o interior do cepo ainda contém muita água.

Como referência, recordemos mais uma vez:

abaixo de 20% = resultado mínimo para uma combustão

cerca de 10-15% = lenha seca e geralmente excelente para utilizar

Não é preciso procurar atingir os 0%.

Basta lenha bem seca e sem humidade.


Comprar a lenha ou prepará-la?

Ambas as soluções são perfeitamente válidas.

Podemos comprar a lenha a um vendedor de confiança, pedindo lenha já seca e pronta a utilizar.

Ou podemos comprar ou preparar lenha mais fresca e deixá-la secar pessoalmente.

Neste segundo caso, é preciso, no entanto, dar-lhe tempo e, sobretudo, ar.

Os prazos podem variar bastante em função da espécie, do tamanho dos pedaços, do clima, da exposição e da forma como é empilhada. Como indicação geral, a EPA fala em pelo menos cerca de seis meses para as madeiras macias e pelo menos um ano para muitas madeiras duras; noutras condições, pode ser necessário ainda mais tempo.

Por isso, não confiemos apenas no calendário.

Medimos a humidade.

É o sistema mais simples para saber o que estamos realmente a colocar no nosso fogão.

E agora chegamos a um dos erros mais comuns: onde guardar a lenha?

Esta é provavelmente uma das coisas mais importantes de todo o artigo.

E, no entanto, é frequentemente subestimada.

A LENHA A SECAR DEVE SER MANTIDA NO EXTERIOR.

Parece um contrassenso.

«Mas lá fora absorve humidade!»

«Se chover de lado, fica molhada!»

«Mais vale pô-la toda dentro da garagem!»

Não necessariamente. Aliás.

Para secar corretamente a lenha, precisa sobretudo de uma coisa:

AR.

A água que pode atingir superficialmente os lados da pilha durante uma chuva ocasional pode voltar a secar bastante depressa.

Muito pior é aprisionar a humidade no interior da pilha, impedindo a circulação do ar.

As indicações da EPA são muito claras: a lenha deve ser conservada no exterior, elevada do chão e coberta apenas por cima, porque fechar também os lados retém a humidade.

A Região do Véneto também recomenda depositar a lenha destinada a secar num local aberto pelo menos em três lados.

Como empilhar corretamente a lenha

O ideal é, portanto, uma solução muito simples:

NO EXTERIOR + ELEVADA DO CHÃO + COBERTA POR CIMA + ABERTA DOS LADOS.

Um telheiro é perfeito.

Mas pode ser suficiente uma cobertura superior bem feita, um painel ou uma lona colocada apenas por cima, deixando os lados livres.

O objetivo da cobertura superior é evitar que grandes quantidades de água penetrem continuamente em profundidade na pilha.

Não devemos, contudo, transformar a palete num presente impermeável!

Nada de lonas completamente enroladas à volta da lenha.

Nada de pilhas seladas.

Nada de lenha fresca fechada num espaço sem ventilação.

O ar deve poder entrar por um lado, atravessar a pilha e sair pelo outro.

É precisamente esta renovação contínua do ar que permite que a humidade presente dentro da madeira saia progressivamente.

Uma pilha completamente envolvida numa lona pode parecer muito protegida, mas corre o risco de se tornar uma verdadeira armadilha para a humidade.

E, nessa altura, em vez de secar corretamente, a lenha pode desenvolver bolor e, nos piores casos, começar a degradar-se.

Por isso, lembremo-nos de uma única coisa

Podemos falar durante horas de faia, carvalho, freixo, bétula, abeto e acácia.

Podemos comparar poderes caloríficos, densidades, duração das brasas e beleza da chama.

Podemos estudar o tamanho ideal dos pedaços e aperfeiçoar a técnica de acendimento.

São todas informações úteis.

Mas, se amanhã tivesse de se lembrar de uma única coisa deste artigo, gostaríamos que fosse esta:

A MELHOR LENHA PARA QUEIMAR É LENHA SECA.

Uma boa lenha seca facilita o acendimento, ajuda o fogo a atingir rapidamente a temperatura correta, produz menos fumo, suja menos e permite que a nossa salamandra ou lareira funcione muito melhor.

Compre-a seca a alguém em quem confie ou prepare-a pessoalmente.

Mas, se tiver de a deixar secar, dê-lhe tempo e dê-lhe ar.

Mantenha-a no exterior, elevada do chão, proteja-a sobretudo por cima e deixe os lados respirar.

Porque podemos ter a lareira mais bonita do mundo, a melhor salamandra e uma chaminé perfeita…

mas, no fim de contas, o fogo só pode queimar bem o combustível que lhe damos.

E, no que diz respeito à lenha, a regra de ouro continua sempre a ser a mesma:

SECCA. SECCA. SECCA.

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